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Um
adesivo que circula na traseira de um
Marea Turbo prateado deveria ser adotado
em sala de aula como ótimo exemplo de
pontuação.
Longe
de ser um supérfluo código de
etiqueta, como muita gente pensa, é
fundamental para a clareza das
mensagens escritas.
O adesivo dizia o seguinte:
Duvido
que a intenção do dono do carro
fosse espalhar pela cidade mensagem
tão blasfema.
Em vez de proclamar a cegueira de
Cristo, é quase certo – ressalvada
uma
improvável intenção humorística
–
que a idéia do orgulhoso proprietário
do Marea fosse se resguardar dos
invejosos e, ao mesmo tempo, lhes
dar um empurrãozinho malcriado
na direção da fé.
Com os sinais de pontuação postos
nos
lugares certos, a frase deveria ser lida
da seguinte forma:
Do
modo como ficou, o recado do
motorista cristão incorre numa série
de pecados: joga um absurdo ponto
de exclamação no fim de uma oração
subordinada condicional, como se
ela tivesse autonomia sintática: “Se
você tem olho grande!”; faz de Jesus
um vocativo, ou seja, aquele a quem
se dirige a mensagem; e, como que
para tornar mais violenta a bronca,
escreve o nome com letras maiúsculas
–
segundo convenção da internet,
gritando.
Dá vontade de dizer, adotando o mesmo
estilo.
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