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Um
homem triste, morava na parte
superior de uma velha casa
em ruínas.
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Pardieiro
sem dono.
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Paredões sem ninguém.
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Supunha-se o último dos mortais.
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Contudo, era firme na fé, e orava,
quase com orgulho, todas as noites:
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"Deus de bondade, Deus dos
aflitos, da Terra sois o maior.
Deus de bondade, graças Te dou
por ainda me alimentar com
algumas batatas por dia.
Creio mesmo, ser o último
dos mortais..."
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Mais dois anos se passaram, quando,
ao sentir-se mais aflito e mais infeliz,
resolveu partir rumo à outras terras...
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Quem sabe, seria um pouco menos infeliz...
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Ele, que sempre saía na direção do quintal
à procura das raízes que o sustentavam,
desta vez saiu do lado oposto, no
propósito de partir.
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Nunca havia saído por lá...
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Ao descer o último declive, ouviu
um barulho.
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Alguém gemia...
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Voltou para ver.
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Só então, pôde verificar que um aleijado,
em chagas, morava embaixo, sobre um
leito de palha, vivendo somente das
cascas de batatas que ele atirava fora.
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Nesse momento, refletiu, que ele, apesar
de todos os problemas, ainda era
mais afortunado que muitos!
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Geralmente
o ser humano sempre se
considera o mais infeliz, sem sequer,
pelo menos, olhar para seu lado.
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